Empresário conta como
superou as dificuldades de falta de crédito e inadimplência.
Na rua paralela ao calçadão do
Campos Elíseos ou na Internet, a Femme Fatale vende bastante,
não possui dívidas e consegue ter um relativo sucesso
comercial. Apaixonado pelo que faz o dono da loja, Marcelo César
Biajoni, diz que supera as dificuldades a cada dia e hoje ama
a profissão. Mas há seis anos quando abriu a loja
de lingerie e sex shop por falta de opção, Marcelo
passou por diversas dificuldades, como todo mundo.
Ele começou no ramo há 18 anos.
E sua primeira empresa foi aberta em sociedade com seu ex-patrão,
há oito anos, em São Paulo. A Femme Fatale só
foi fundada em 2002, sem muito planejamento, apesar da experiência
de Marcelo. Hoje ele trabalha com mais quatro funcionárias
que se dividem realizando diversas tarefas.
As dificuldades para montar a loja em Resende
foram muitas, mas a principal foi a falta de capital de giro.
O analista do SEBRAE, Jayme de Souza Filho, afirma que o capital
de giro é fundamental para qualquer empresa.
“Devemos saber quanto vamos gastar mensalmente
para operarmos o negócio. Uma vez que se tenha uma estimativa,
devemos reservar pelo menos seis vezes o valor dos gastos para
os primeiros meses de funcionamento da empresa, porque nenhuma
empresa paga as suas despesas já nos primeiros meses”,
explica Jayme.
Marcelo, na época, não sabia disso.
Além de não deixar nenhum dinheiro reservado, usou
recursos próprios e acabou caindo na inadimplência.
Há três anos, ele contraiu dívidas, porque
comprou e vendeu mercadorias, porém não recebeu
o dinheiro das vendas nem pagou aos fornecedores.
Segundo ele, foi uma variação momentânea
do mercado e não apenas falta de planejamento. Porém,
segundo o analista do SEBRAE, os bancos não se importam
se o empresário está inadimplente, só querem
obter lucro. E também não fornecem crédito
para quem não faz um bom plano de negócios.
Por esses motivos, como Marcelo mesmo confirma,
foi tão difícil para ele conseguir crédito.
Só depois de muito tentar é que ele obteve R$ 15
mil da Caixa Econômica Federal (CEF) para cobrir os débitos
iniciais. Jayme avisa que para conseguir crédito, além
de elaborar um bom plano de negócios, é bom estar
atento aos tipos de linhas de crédito.
“Existem aquelas que são destinadas
para investimento e outras para capital de giro. As de investimento
geralmente têm um prazo para pagamento dilatado e taxas
de juros menores e significam pagamento à vista para os
fornecedores. Já as de capital de giro é dinheiro
na conta do empresário e servem para dar um 'fôlego'
para que a empresa continue operando, mas os prazos são
menores e as taxas mais altas”, exemplifica o analista.
Hoje, Marcelo afirma que já superou os
problemas iniciais, com determinação, parceria dos
fornecedores e capacitação por meio de cursos. Ele
conta, ainda, com a assessoria jurídica da CDL para resolver
o problema da inadimplência. A partir dessa experiência,
Marcelo recomenda que os comerciantes façam um planejamento
estratégico, enxuguem as despesas e realizem um acompanhamento
da receita mês a mês.
Para economizar, de acordo com Jayme de Souza
Filho, é necessário gastar apenas o essencial com
uma previsão clara de lucro. Segundo ele, também
é recomendável trabalhar com fornecedores que dêem
prazos melhores de pagamento. Além disso, o analista aconselha
conscientizar a equipe da necessidade de economia. “Controlando
todas as despesas e receitas e mantendo um bom fluxo de caixa,
ameniza-se o risco de inadimplência e o empresário
pode ter um negócio rentável”, garante.