O que uma família da classe C faria com R$ 100 adicionais no seu orçamento mensal? Essa é a pergunta que a agência de publicidade NovaS/B tentou responder com o estudo +100, uma radiografia dos hábitos de consumo dessa camada da população. A pesquisa, conduzida pelo IBOPE Inteligência, levantou informações importantes que possibilitarão às agências desenvolverem estratégias mercadológicas mais próximas dos diversos perfis de consumo dos brasileiros da classe C, em Recife, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Tomando por base mais de 4.500 entrevistas realizadas pelo IBOPE, a análise exclusiva dos dados objetivava identificar um grupo bastante específico: administradores do lar (responsáveis por pelo menos 50% das compras domésticas), homens e mulheres de 18 a 60 anos de idade, da classe C. O estudo gerou três subgrupos distintos de consumidores: “retraídos”, “consumistas” e “planejadores”, cada um com comportamentos e estilos de vida próprios, mas dentro de uma mesma faixa de renda.
A classe C brasileira, do ponto de vista do consumo, possui atitudes variadas em relação aos gastos dentro de uma mesma faixa de renda. De um lado, há os “planejadores”, que conseguem equilibrar seus desejos de consumo com as possibilidades financeiras; do outro, há os “consumistas”, mais propensos aos impulsos de compra e, conseqüentemente, a um maior desequilíbrio orçamentário.
A pesquisa evidenciou um estado de espírito para o consumo muito próprio da classe C. As informações apontam que esses consumidores têm conhecimento e estão atentos em relação à crise. Mas, caso venha a sofrer cortes em seu orçamento doméstico, eles demonstram estar preparados para retornar às compras na primeira oportunidade que tiver, sem abrir mão do padrão de vida e de consumo conquistado.
“Neste momento, é fundamental que as empresas mantenham estratégias diferenciadas de aproximação com esses consumidores, por meio, por exemplo, de iniciativas de educação financeira, uma necessidade demonstrada pelos participantes do Estudo + 100”, diz Alessandro Bottini, diretor de planejamento da NovaS/B. “Quem tiver essas estratégias neste momento, quando houver a retomada do consumo, estará em vantagem em relação aos seus concorrentes”, complementa.
O destino dos R$ 100 – Quanto à quantia extra no orçamento por três meses, o estudo mostrou que o consumidor da classe C tende a não concentrar seus gastos. Em geral, o dinheiro foi gasto em itens mais próximos e mais imediatos, como alimentos, artigos de beleza, roupas, acessórios e outros itens ligados à auto-estima. Atitude que revela uma dificuldade na concentração de recursos para compras de itens desejados de maior valor, como eletrodomésticos, máquinas fotográficas e aparelhos eletrônicos. Como conseqüência, na maioria das vezes, esses desejos demoram a se concretizar.
Dados da classe C – Conforme análise da Fundação Getúlio Vargas, a chamada “Classe Média Brasileira” já engloba 53.8% da população (estimados em cerca de 99 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE) e consome cada vez mais e com qualidade, principalmente devido ao acesso facilitado ao crédito e a programas de distribuição de renda do governo federal, como o Bolsa-Família.